foras da lei barulhentos, bolhas raivosas e algumas outras coisas que não são tão sinistras, quem sabe, dependendo de como você se sente quanto a lugares que somem, celulares extraviados, seres vindos do espaço, pais que desaparecem no Peru, um homem chamado Lars Farf e outra história que não conseguimos acabar, de modo que talvez você possa quebrar esse galho

maio 23, 2013

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Sim, tudo isso que você leu aí em cima é o título desse livro de contos lançados pela Cosac Naify. Reunindo contos de vários autores como Nick Hornby, Neil Gaiman, Jon Scieszka, Lemony Snicket e Jonathan Safran Foer, o livro traz histórias que pendem pro lado do fantástico, curtas ou não, e belamente ilustrados por diversos artistas e ilustradores.

Foi publicado já há alguns bons anos lá fora pela brilhante McSweeney’s, que pra mim é das mais originais do mercado americano atualmente. O livro é basicamente uma reunião de contos que extrapolam os limites da imaginação e não se prendem a nenhum gênero específico: temos desde aventuras espaciais a contos de terror. O que une as histórias mesmo é a exploração da originalidade, já que cada autor tem seu próprio estilo de escrever. E essa também é a graça da coisa. Ao mesmo tempo é um pouco aquela coisa que acho de filmes que reúnem curtas como Paris eu te amo: Eu amei alguns contos e não gostei de outros.

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Fiquei intrigado também com o lindo projeto gráfico do livro e pela proposta de completar um conto e mandar pra editora (o conto inacabado vem na capa, que se solta e você pode enviar pelo correio!).

Precisei escrever aqui sobre esse livro principalmente pela preciosidade que é o último conto, escrito por Jonathan Safran Foer (autor de Extremamente Alto e Incrivelmente Perto). Contando a história de um fictício sexto distrito de NY que se desgruda da cidade rumando ao pólo norte, ele cria um lindo relato de distâncias, amores e vida em singelas 14 páginas que me fizeram valer o livro todo.

Foras da lei barulhentos, bolhas raivosas e algumas outras coisas… (Noisy outlaws, unfriendly blobs and some other…) \ vários autores \ editora Cosac Naify

creme de cenoura e leite de coco

maio 21, 2013

Aos poucos vem chegando o frio (ao menos em BH!), e pra mim é uma época gostosa pra sopas e cremes. Amo colocar um toque agridoce, e essa receita é bem isso: cenoura, abacate e leite de coco, ingredientes que puxam para o doce. Então tempere bem e curta, sendo servida quente ou fria – adoro também sopas frias e essa cai super bem numa temperatura ambiente ou levemente fresca. Eu acho interessante como no Brasil o abacate é tratado como fruta, ao contrário de muitos países, onde ele é um legume e se come em preparações salgadas (como vemos muito na culinária mexicana).

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/ 6 cenouras médias

/ 1 abacate pequeno

/ 200 ml (um vidrinho) de leite de coco

/ suco de meio limão

/ 1 dente de alho

/ alguns raminhos de coentro

/ 1 colher (sopa) de azeite de oliva

/ sal e pimenta do reino a gosto

Descasque as cenouras, corte em rodelas mais ou menos finas e cozinhe-as em água fervente com sal por cerca de 20 minutos. Escorra mas reserve 200 ml desse caldo. Com esses 200 ml bata as cenouras no liquidificador ou processador. Pique bem pequeno o alho e refogue-o no azeite (pode usar a mesma panela se quiser). Junte o creme de cenouras, o leite de coco, o abacate amassado e o suco de limão, misture e tempere com sal e pimenta. Se necessário for, bata de novo para ficar com a textura de creme. Não é necessário cozinhar muito mais, basta ferver e está pronto. O creme pode ser servido quente ou frio, com folhinhas de coentro por cima.

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rendimento \ 4 porções

tempo de preparo \ 35 minutos

dificuldade \ baixa 

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dublê de anjo

maio 19, 2013

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Todo mundo que acompanha e ama cinema já se deparou com a seguinte descrição de um filme: “é belíssimo, mas não diz nada”. Fico meio cabreiro quando leio algo assim. Todo filme PRECISA mesmo dizer alguma coisa? E quando uma obra mexe com os nossos sentidos (mais especificamente a visão), faz a gente sentir um prazer enorme com o que vê, já não é algo notável?

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Quando um filme me agrada muito, costumo meio que ignorar/não reparar em possíveis falhas ou fraquezas. Mais ou menos como fazemos com pessoas que gostamos muito, amigos de verdade, que podem ter uma mania ou outra insuportável mas que nem por isso deixamos de amar loucamente. Não sei se é saudável (ou recomendável) comparar filmes a pessoas, mas até hoje não me causou problemas!

Um desses filmes “belos porém vazios” que eu amo é A Cela, de Tarsem Singh. A maior parte dos críticos detonou o filme, chamando-o de sub Seven ou Silêncio dos Inocentes de quinta. Mas quem viu nunca esqueceu as imagens poderosas que Tarsem Singh criou, como o cavalo destrinchado ou a incrível capa do psicopata. Mas A Cela é um suspense, ou até mesmo um terror, gêneros que não agradam a todos. Já o filme seguinte do diretor, Dublê de Anjo (ridícula tradução para The Fall), é um drama. Portanto deve agradar a mais pessoas. Espero que sim.

Li várias críticas dizendo novamente que o filme não diz muita coisa. Mas a opinião de quem viu, em geral, é a mesma: é maravilhoso. Arrisco a dizer que nunca vi filme igual. Tem dezenas de imagens de encher os olhos, de deixar qualquer um de boca aberta. E é mais impressionante ainda quando se descobre que os cenários e locações todos existem de verdade – nada foi criado em computador. Para isso, o diretor e sua equipe passaram anos filmando, nos quatro cantos do mundo (incluindo o Brasil).

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A história se passa na Los Angeles dos anos 20, onde um dublê de filmes de aventura (Lee Pace) se recupera em um hospital. Lá ele conhece a menina Alexandria (a fofíssima Catinca Untaru, que merecia ter ficado famosa), e passa a contar para ela uma história épica de aventura e amor, envolvendo um escravo, um bandido, um indiano e até mesmo Charles Darwin. Na imaginação da menina o dublê é o herói da história, e os acontecimentos da vida real vão influenciando o desenrolar da trama.

Dublê de Anjo lembra muito O Labirinto do Fauno - nos dois casos, temos uma menina criando um mundo de fantasia para lidar com grandes dificuldades na vida real. E o filme de Tarsem Singh merece ser conhecido por todos assim como Fauno: é divertido, é emocionante, é mágico, é praticamente tudo que um filme pode ser. E nos minutos finais se torna uma homenagem emocionante ao próprio cinema. É até difícil descrever o tanto que gostei de Dublê de Anjo.

Dublê de Anjo (The Fall), um filme de Tarsem Singh

117 minutos / EUA e Índia / 2006

carta amarela #54 – desabafo

maio 16, 2013

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Belo Horizonte, 16 de maio de 2013

Queridos amigos,

Confesso. Tenho ficado irritado com alguns comentários que recebo. Uns comentários do tipo: “Ah, receita com fritura de novo?”, “E esse bolo gordo, quanta manteiga! Quero um bolo saudável”. Vou explicar uma coisa: Todas as receitas que posto aqui são receitas que eu faço no dia a dia da minha casa. Eu abro a geladeira e resolvo: O que posso fazer com o que tenho aqui? E todas elas são feitas da forma que eu acho melhor. Faço fritura de vez em quando em casa? Sim. Amo batata, mandioca e peixe frito, mesmo que eu opte várias vezes por fazê-los de forma diferente. Os melhores bolos vão muita manteiga? Vão. Ao mesmo tempo tenho várias receitas de saladas e sopas leves, porque eu também amo comer isso? Amo.

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Algo que me incomoda muito no Brasil é o culto ao corpo. Com a desculpa de levar uma vida saudável vejo pessoas e mais pessoas passando a vida na academia e comendo salada. Se você está feliz com isso, ótimo, mas não é pra mim. Inspiro-me muito com o que vivi em Paris. Poucas pessoas vão à academia. Mas ao invés de pegar o carro pra ir a todo lugar, eles vão de bicicleta. Eles vão a pé. Isso já não é um ótimo exercício? Eu mesmo sou um apaixonado por pilates. Me faz sentir bem comigo mesmo, ao contrário das inúmeras repetições que eu fazia na academia. Amo andar a pé. Foi assim que eu descobri vários cantinhos de BH, de Paris, de Buenos Aires.

E quanto a comida saudável? Conheço várias pessoas que vivem de regime, se entupindo de produtos que compram em lojas de produtos saudáveis. Dia desses bati o olho numa tabela nutricional de torradas sem glúten e quase caí de costas com a quantidade de sódio e açúcares. Em vez de comer isso, que tal um pãozinho ou biscoito feito em casa? Tenho aprendido que a comida mais saudável que posso comer é a feita em casa. É a que tem menos sódio, açúcares e que eu sei dosar bonitinho a quantidade de manteiga ou azeite que ponho. Meus doces não tem quase nada de açúcar. Meus pratos salgados, pouquinho sal. Eu mesmo faço os caldos de carne, frango e legumes daqui de casa. Você pode dizer: não tenho tempo pra isso. Mas tempo pra passar 8 horas na academia por semana você tem? O meu maior prazer na vida é comer bem, e foi isso que instituí na minha alimentação. Eu mesmo decidi praticamente parar de tomar refrigerante porque eu sentia meu estômago pesado ao tomá-lo. Mas não vou deixar de comer frituras de vez em quando. Não acho certo quem só vive de comer gorduras, frituras, refrigerantes e coisas não saudáveis, porque aí sim acho que é uma destruição ao próprio corpo. Mas acho que hoje em dia a gente chegou no excesso da “saudavelização da vida”. E só viver de salada e exercícios físicos pra mim, não é ser saudável.

Eu me sinto bonito em poder comer um prato de coxinhas e sorrir ao me sentir empanturrado. Eu me sinto bonito com alguns pneuzinhos. Minha avó morreu feliz, diabética, comendo doces todos os dias. Eu posso até morrer mais cedo pelas opções que faço ao comer, mas sei que estarei feliz assim. Pra mim importa a saúde, mas importa mesmo é ter equilíbrio. Sei que muitos de vocês vão discordar, mas estou realmente cansado de gente dizendo o que eu devo comer ou não. Se a Nigella se sente feliz ao encher a comida de manteiga porque ela se sente com a pele e cabelos “hidratados por dentro”, por que não? São tantas tristezas na vida, se eu posso ser feliz, eu serei. E a felicidade pra mim muitas vezes é um pratão de feijão tropeiro, couve, arroz e costelinha. Com uma cervejinha do lado.

Como diria o Jô, um beijo do gordo!

Gui