digam o que quiserem

maio 5, 2013

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Todo mundo da minha geração (digamos, quem nasceu entre 1975 e 1985) conhece os clássicos da Sessão da Tarde. Curtindo a Vida AdoidadoGatinhas e GatõesOs Goonies - são inúmeros os filmes adolescentes/jovens que fizeram a alegria de muita gente nos anos 80 e 90. Eu via todos. Ou quase todos, já que um deles, Digam o Que Quiserem, permaneceu inédito pra mim até agora. Não sei por que o filme não despertou meu interesse na época. Acho que mesmo quando eu era adolescente o filme parecia diferente dos outros: um pouco mais sério, mais profundo. Ou talvez eu simplesmente não risse com os trechos selecionados pela Globo para promover o filme nas suas chamadas.

Mas o tempo passou e eu descobri que Digam o Que Quiserem (no original, Say Anything…) tornou-se um clássico moderno. Não apenas um clássico-da-Sessão-da-Tarde, mas um filme aclamado, considerado um dos melhores romances adolescentes das últimas décadas. Após ter visto o filme, junto minha voz ao coro. É mesmo um filme incrível, apaixonante.

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É a estreia do diretor Cameron Crowe – responsável por Vanilla SkyJerry Maguire e Quase Famosos, entre outros. Já em seu primeiro filme, Crowe mostra sua maestria para escrever sobre relacionamentos, sentimentos, emoções que seus personagens tentam expressar de forma tocante mas não artificial. Basta lembrar do “you had me at hello” de Jerry Maguire pra saber como o diretor é bom nisso. E Digam o Que Quiserem é cheio de momentos assim, humanos, reais, e que ao mesmo tempo tão simples.

A história também é bastante simples: Lloyd Dobler (John Cusack), um eterno otimista, acaba de se formar na “high school” e não sabe bem o que fazer da vida. A única coisa que ele sabe é que quer convidar a linda Diane Court (Ione Skye) para sair. Diane é a oradora da classe, estudiosa, aplicada, e que logo vai se mudar para a Inglaterra devido a uma bolsa de estudos. Diane também é uma das razões de o filme ser tão refrescante: ela não cai em nenhum dos estereótipos fáceis de filmes adolescentes. Não é a líder de torcida popular, não é a nerd sem graça, não é o patinho feio que se revela um cisne. Diane é como uma versão idealizada do que muitos de nós gostaríamos de ter sido na escola: esperta mas tímida; mas quando vai a uma festa, ouve dos colegas: “Que bom que você veio, sempre quis te conhecer mais”.

Diane vive com o pai (John Mahoney), e a relação dos dois é quase uma anomalia cinematográfica: os dois são melhores amigos. E a história gira em torno desses três personagens – três pessoas notáveis, que tentam (e quase sempre conseguem) agir da melhor forma possível. Não há nenhum daqueles clichês de filmes adolescentes: as garotas populares não vão humilhar Diane; Lloyd não inventa uma mentira que é descoberta 15 minutos antes do fim (provocando uma briga e eventual reconciliação do casal); o pai de Diane não proíbe expressamente o namoro. O que há, em enormes quantidades, são sentimentos reais. E pessoas boas, mas não artificialmente boas. Como logo no início, quando Lloyd discute com a irmã estressada. Ele diz a ela, numa voz calma, voz de quem realmente ama a irmã: “Você costumava ser tão divertida”. E o efeito é muito mais impactante do que se fosse uma frase gritada no meio de uma briga.

Digam o Que Quiserem é um tipo de filme raro. Eu não poderia recomendar mais. Pesquisando sobre o filme, foi fácil achar na internet inúmeros blogs apaixonados por Lloyd Dobler, e sua determinação em conquistar o coração de Diane. Assistam também, e espero que vocês se apaixonem como eu me apaixonei.

Digam o Que Quiserem (Say Anything…), um filme de Cameron Crowe

100 minutos / EUA / 1989

creme de baroa com shimeji na manteiga

maio 2, 2013

Vem chegando o tempo frio, e com ele, uma época ideal pra fazer sopas, caldos e cremes pra comer à noite. Sempre amei batata baroa desde pequeno – em Lavras a gente chamava de fiúza, mas conheço muita gente que chama também de cenoura amarela ou mandioquinha. A combinação é ótima com o cogumelo, mas nada impede de fazer a receita sem ele também. Nesse caso, pra acompanhar, sugiro bacon fritinho. De qualquer forma faça sua versão e me conte, e se fizer a mesma que eu, delicie-se também!

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/ 1 kg de batata baroa

/ 2 l de caldo de legumes (se for usar caldo em cubo dissolva um na água)

/ 200 ml de creme de leite

/ 200 g de cogumelo tipo shimeji

/ folhinhas de manjericão

/ alguns raminhos de cebolinha

/ sal

/ 2 colheres (sopa) de manteiga

Descasque e pique as batatas baroa e leve para cozinhar no caldo de legumes. Se o caldo secar, adicione mais água até que a batata esteja bem cozida. Bata no liquidificador e retorne à panela. Se estiver muito grosso, adicione um pouco de água. Se estiver muito líquido, deixe cozinhar um pouco para engrossar. O importante é que fique cremoso. Prove o tempero e se preciso for coloque sal.

Lave bem as ervas, e pique bem pequeno a cebolinha. Lave o shimeji também e corte com uma faca só para separar os cogumelos da base. Numa frigideira aqueça a manteiga e coloque os cogumelos. Tempere com sal e refogue rapidamente, não é necessário cozinhar muito.

Desligue o cozimento da sopa e misture o creme de leite. Sirva a seguir, ainda bem quente, com os cogumelos e as ervas por cima. Eu estou fascinado com a horta de capuchinhas (flores comestíveis) que minha mãe plantou em casa, então ainda enfeitei cada prato com uma flor.

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rendimento \ 4 porções

tempo de preparo \ 40 minutos (uns 20 para o cozimento da batata)

dificuldade \ baixa

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carta amarela #53 – das coisas que aprendi

abril 29, 2013

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Moeda, 29 de abril de 2013

Queridos amigos,

Quero chegar lá. Já aprendi muita coisa.

Aprendi que cozinhar é uma química. Que são as boas misturas que vão proporcionar o melhor sabor. Que é o aquecer ou esfriar que vão criar a textura certa. Que ingredientes inusitados podem se atrair e formar algo único – ou talvez criar um completo desastre.

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Aprendi ao fazer minhas aquarelas, que a água evapora rapidinho. E por isso preciso misturar as cores básicas rapidinho também – por isso as cores que consigo são muito mais incríveis. É que a rapidez pode ser uma aliada da surpresa. E ser surpreendido… Oras, é como experimentar um macaron de maracujá com chocolate pela primeira vez. Inesquecível.

Aprendi a saber que também é importante sofrer às vezes. Não importa quanto tempo aquela dor ficar ali, estagnada no meu coração. Quando ela for embora, vai sem deixar nada pra trás. Aliás, deixa sim. Me deixa um pouquinho mais forte. E a sensação é de sentir um calorzinho daquele dia frio que o sol aparece mesmo que entre as nuvens e que você põe seus pés descalços ao sol pra aquecer.

Aprendi a querer menos. Já quis que as pessoas fossem mais gentis. Já quis que as ruas estivessem mais limpas. Já quis mais dias de sol. Já me frustrei por querer muito – e não fazer nada pra mudar isso. Então faço minha parte pra que as coisas sejam melhores – mas não espero que os outros o façam também. Dói menos. Mas os grandes quereres? Ah, esses estão guardadinhos aqui.

Aprendi a não estacionar. Quanto mais parado fico, menos objetivos consigo realizar. Aprendi a pedalar sem rodinhas. E nisso caí e quebrei o braço. E foi de braço quebrado que aprendi a andar de bicicleta. Não deveria ser assim, mas só aprendo as coisas com a fratura ali, exposta.

Aprendi também que aprendo coisas novas todos os dias. E que ainda sei muito pouco. Mas desse muito pouco aprendi a fazer as coisas com afeto. E que assim, eu consigo seguir mais feliz.

Beijos do sempre aprendiz, mesmo que nunca doutor em nada,

Gui

macarrão de arroz com frango e molho oriental

abril 26, 2013

Sempre amei comer macarrão de arroz. Amo a textura e sabor, principalmente em pratos que puxam pro lado oriental. De forma fácil, tenho preparado diferentes combinações. Gosto de chamar de minha versão de macarrão instantâneo, já que ele fica pronto muito rápido – e convenhamos, é muito mais saudável e saboroso que o macarrão instantâneo que compramos, né? O que dá o toque nessa receita é o molho oriental a base de óleo de gergelim e molho de soja.

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/ 200g de macarrão de arroz

/ 150g de peito de frango

/ 1 cenoura grande

/ 2 colheres (sopa) de óleo de gergelim

/ 4 colheres (sopa) de molho de soja

/ coentro fresco a gosto

/ sal (se necessário, já que o molho de soja é salgado)

Coloque a água do macarrão pra ferver. Dê uma olhada nas instruções do seu pacote antes de fazer, mas a marca que eu compro pede pra ferver 1 litro de água. Quando estiver fervendo eu desligo e mergulho o macarrão por 1 minuto e já retiro e reservo. Enquanto a água ferve, aproveito pra preparar a cenoura e o frango. Corto a cenoura em bastõezinhos de mais ou menos 0,5 cm x 0,5 cm x 4 cm. Corto o peito de frango em cubinhos e tempero com 1 colher de sopa do molho de soja. A cenoura eu coloco pra cozinhar no vapor da água que cozinhei o bifum. Enquanto ela cozinha no vapor, refogue o frango em uma panela com 1 colher (sopa) do óleo de gergelim. Quando estiver cozido eu junto a cenoura já cozida no vapor e misturo. Por último acrescento o macarrão, misturo e desligo. Tempere com 3 colheres (sopa) de molho de soja e 1 colher (sopa) de óleo de gergelim. Rasgue grosseiramente as folhas de coentro com a mão e misture. Prove, e se precisar, coloque um pouco de sal. Sirva a seguir.

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rendimento 2 porções

tempo de preparo \ 15 minutos

dificuldade \ baixa

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fotos / Fabrice Reveilhac