#135 – ressignificar

#135 – ressignificar

São Paulo, 23 de janeiro de 2017

Querido amigo,

É estranho recomeçar. É estranho pensar em algo que foi parte da minha vida por tanto tempo ter deixado de ser algo do meu dia a dia. 2017 pra mim foi um ano estranho. Não foi um ano ruim, mas, como disse aqui em cima, é estranho recomeçar. E isso foi meu 2017. Foi minha primeira real mudança (uma definitiva?) da casa dos meus pais. Foi uma mudança de cidade. E com isso tudo vieram coisas que eu não esperava. Passei boa parte do ano no cheque especial, tive dificuldades em morar com mais quatro pessoas, comecei um relacionamento, comecei uma empresa, o chef e a chata entrou num momento difícil pra gente. Cada coisa que eu fazia parecia só complicar meus dias. Fui ficando sem vontade de escrever. Cozinhar por trabalho quase o tempo todo me fez drenar a criatividade e a vontade de cozinhar coisas novas e diferentes. Agora fico aqui, refletindo. Já um pouco distante do que foi vivido, entendendo melhor tudo o que se passou.

A gente fala na dor que é crescer e é ainda mais difícil quando parece que tudo vem de uma vez. Mas acho que tempos assim fazem tempos futuros mais tranquilos também. Mudar é uma explosão de si mesmo. Abracei essas mudanças na vida primeiro com desânimo, até entender que precisava abraçar com o coração. Com a mente e a alma livres para dar vazão aos sonhos mais tímidos e guardados que tenho dentro de mim. Entender, assim como quando morei fora anos atrás, que todo o ambiente seguro ficou pra trás. Tenho todo o medo do mundo de estar só. E de ficar só. E algumas vezes é preciso voltar ao que me deu chão pra seguir melhor em frente. É por isso que voltei aqui. Talvez pra me reencontrar. Talvez pra encontrar o que quero. Agora entendo que a antiga pessoa que habitava aqui pouco sabia sobre o quanto a vida é maior do que aquela a gente vive somente no nosso interior. Coleciono com orgulho o meu álbum repleto de sorrisos e abraços embaixo da garoa. Levo por dentro essa leveza do começo da noite em horário de verão. Guardo isso pra carregar com calma. Guardo porque preciso dessa calma.

Espero que você tenha também um bom ano dentro de você, amigo.

Um abraço apertado,

Gui

ilustração: Joanne Ho

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  • Aline diz:

    Que alegria ler mais uma cartas-amarelas! Eu tenho um amigo que diz que mudanças são sempre pra melhor! Levei esse lema pra vida.

    Gui, eu fiquei muito feliz de ver as suas conquistas de 2017. É como se você estivesse abrindo as asas pra começar a voar. Eu quis muito um dos seus panetones (fiquei aguada) e no dia que eu for a São Paulo, espero ter a oportunidade de encomendar um dos seus bolos (e comer tudo sozinha).

    Desejo muito sucesso pra você e também que encontre paz e serenidade pra encontrar o equilíbrio de seguir em frente. É assim mesmo, aos poucos a sua coisas se ajeitam.

    Um abraço!

  • Nati diz:

    Incrível como as mudanças nos sacodem, né? 2017 também foi meu primeiro ano de casamento e olha, foi maravilhoso, mas também cheio de atritos, de crescimento pessoal e conjugal e de um redescobrimento de mim mesma… como percebi forte as raízes que minha mãe deixou aqui dentro, e como descobri minha vontade de cuidar e de curtir meu novo lar. Descobri, em partes, um novo companheiro, e me apaixonei por ele de novo (tks God!), pois morar junto tem dessas coisas. Um 2018 mais leve e sereno, mas também com algumas mudanças pra nós, pois é isso que nos mantem vivo, não é mesmo? Bjs, Gui!

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