preferidos de 2016: séries e filmes

preferidos de 2016: séries e filmes

No segundo post de listas de 2016, minhas séries e filmes preferidos nesse ano que passou. Como nas outras listas, estão em ordem alfabética, não num ranking. As séries e filmes preferidos em: 20152014201320122011.

 

séries

 

acs

 

american crime story: the people v. o.j. simpson

Apesar de ter um tema que pouco acompanhei – eu era criança e a repercussão mesmo aconteceu nos Estados Unidos, onde O.J. um dia foi um herói do futebol americano – a história aqui é interessantíssima. Ryan Murphy juntou um elenco incrível e deu a Sarah Paulson o papel da sua vida. A série ainda explora questões raciais, fama e o papel do sistema legal americano. Quem é que não achou o máximo ver as mini Kardashians comemorando o fato de que a família ficou famosa ao ver o pai na TV, em rede nacional?

 

theamericans

 

the americans

Eu fico impressionado com séries que só melhoram com o passar das temporadas. Isso é tão raro. Mas é assim com The Americans, e pela primeira vez em 4 anos a série foi indicada a melhor drama, melhor ator e melhor atriz no último Emmy. Merecidamente – embora na minha opinião deveria ter ganhado pelo menos melhor série! Consegue juntar de forma balanceada o que poucas séries sobre espiões conseguem: a gente não sabe se aqui o que mais importa é a história de espionagem (em que 2 agentes da KGB foram treinados pra se passar por um casal americano qualquer) ou a relação familiar e suas disfunções. Keri Russell (a eterna Felicity) e Matthew Rhys são a cereja do bolo: você torce tanto por eles, quer tanto que eles fiquem juntos apesar de tudo o que se passa. É dessas séries que vejo pouca gente falar a respeito mas que recomendo de olhos fechados.

 

strangerthings

 

stranger things

Acho que não conheço uma pessoa que não tenha ficado encantada com Stranger Things. Um misto de obsessão com a década de 80, nostalgia (mesmo de muitos que nem viveram a década), numa ótima história de mistério. É dessas séries que você pode assistir de uma vez só e se deliciar com cada referência. Não é uma série perfeita, maravilhosa e irretocável, mas tem um componente que muita série de prestígio parece esquecer: é muito, muito divertida de assistir.

 

transparent

 

transparent

Transparent é tão redondinha, tão cheia de boas performances e falas incríveis que nos fazem querer seguir a história até do mais frustrado dos Pfeffermans. Mais do que isso, com o passar do tempo, a série vai se tornando uma grande investigação de gênero e sexualidade. É bem sucedida em compreender que seus personagens não estão – e nunca estarão – acima da tóxica sociedade que nos envolve. E nisso vem o triunfo em explorar tão bem o que acontece quando personagens mais fechados resolvem seguir em frente com a mente mais aberta. Uma tocante história não só de um homem que resolve dizer à sua família que sempre se sentiu como uma mulher, mas uma sincera dedicação à jornada humana (mesmo que praticamente todos os personagens sejam detestáveis).

 

westworld

 

westworld

Gostei muito de Westworld (dã, senão não estaria aqui). Mas não consegui achar incrível como vi todo mundo bradando por aí. É uma ótima série, com excelentes atores e toda aquela grandiosidade que a HBO sabe fazer de melhor. A história te prende, vem cheia de reviravoltas. Queria ter sentido mais vontade de torcer pra cada um dos personagens, mas faltou empatia em relação a eles. Queria que tivesse menos monólogos intermináveis pra esclarecer tudo o que estava acontecendo e um pouco mais de mão de massa. Parece até que não gostei da série, mas até entendo que isso tudo existiu pra explicar todo o contexto complexo da coisa toda. Fiquei fascinado pelo mundo construído ali, fiquei preso entre tantos detalhes e tantas surpresas passando diante dos meus olhos. Fica aqui a esperança que na próxima temporada tudo vai ser mais ágil e redondinho, porque essa série é boa mas merece ser melhor.

 

filmes

 

aquarius

 

aquarius, de kléber mendonça filho

Gosto de falar que Aquarius é um tapa na cara a cada cena. A princípio é uma história sobre memórias e sobre envelhecer. Mas é muito mais que isso: é um retrato da nossa sociedade. A gente pensa com tanta nostalgia do passado, e nisso é fácil entender o que torna um apartamento um lar: as memórias do vivido ali. São essas memórias que formam o que a gente é, e muitas coisas físicas são o que nos fazem lembrar de cada uma dessa memória. Isso cria o centro emocional de um filme que explora muito do que a gente vê acontecer no nosso país, e faz lembrar que o nosso país também é o nosso lar.

 

brooklyn

 

brooklin (brooklyn), de john crowley

É interessante como um dos meus livros preferidos do ano (Nora Webster) e um dos filmes preferidos vem de um mesmo autor, Colm Tóibin. Colm é um irlandês que escreve romances com uma emoção rara. Sempre me deixa de coração aquecido. Aqui vemos a história da jovem irlandesa Eilis (vivida com delicadeza pela ótima Saoirse Ronan), que se muda pra Nova York, se apaixona e acaba precisando voltar à Irlanda por causa da família. É um filme que fala com tanta precisão sobre imigração, comunidades, os altos e baixos do amor. Fala também do conflito entre os desejos individuais e as expectativas familiares. Quem algum dia viveu bem longe da família vai entender perfeitamente a dor de não saber o quando e se vamos conseguir rever alguém.

 

captainfantastic

 

capitão fantástico (captain fantastic), de matt ross

Capitão Fantástico é um filme sobre choque de culturas. Um casal decidiu viver no meio da floresta, e criar a família de um jeito diferente, afastados da vida que levamos nas cidades. A mãe precisa se ausentar por um tempo, e, com a morte dela, o pai e os filhos precisam atravessar parte do país para o enterro. É um raro filme sobre inteligência e integridade, que pergunta sobre tantas grandes questões: o que é ser pai, o que é família, como vivemos os dias de hoje. As respostas do filme são tão cheias de vida, sentimentos e inspiração que te fazem rir e chorar. E o que fica é a linda imagem de um pai cujos superpoderes nada mais são do que fazer o melhor que pode.

 

carol

 

carol, de todd haynes

Pensei tanto no que escrever sobre um filme tão bonito, mas o querido Adriano Ferreira que escrevia sobre cinema aqui no blog resumiu tudo em uma frase: “Carol é o raro filme que, além de classudo e clássico, é emocionante porque é tão verdadeiro. E isso dói.” Pra ler a resenha completa que ele escreveu, clique aqui.

 

arrival

 

a chegada (arrival), de denis villeneuve

Denis Villeneuve é um dos meus diretores preferidos. Desde que vi Incêndios, filme que foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro há alguns anos, fiquei extasiado com as sensações que cada um dos incríveis filmes dele me proporcionaram: Os Suspeitos, O Homem Duplicado e Sicario, todos excelentes. Se juntou a uma das minhas atrizes preferidas, Amy Adams, e minha expectativa ficou nas alturas. Dizem que expectativas geram frustração, mas aqui foi exatamente o contrário: o filme é melhor do que eu esperava. Pensei imediatamente num dos filmes preferidos da adolescência, Contato. São dois filmes que usam a temática “alieníginas” – algo misterioso e que somos incapazes de saber o que esperar – pra fazer descobrir o mistério dos nossos mais íntimos sentimentos. E nisso reside o importante do filme: quais as escolhas a gente faz pra vida?

 

thehandmaiden

 

a criada (the handmaiden), de park chan-wook

transportando elementos de ‘Falsas Aparências’, de Sarah Waters, romance de identidades escondidas e paixões lésbicas, Park Chan-Wook joga esses elementos numa Coréia do Sul dos anos 1930, juntando vários elementos Hitchcockianos no processo e criando um filme excepcional. Filmado suntuosamente com um que de fetiche (o filme me fez pensar muito em O Duke de Burgundy), o diretor cria uma atmosfera sensual, luxuosa e misteriosa. Sook-hee (Kim Tae-ri) faz o papel-título: ela é uma pequena ladra que é contratada para ser a criada de uma nobre japonesa, Lady Hideko (Kim Min-hee). O plano é que ela ajude um vigarista a se casar com Lady Hideko e ficar com sua fortuna. O filme é cheio de reviravoltas, carregadas magistralmente pelas duas atrizes e pela beleza impressa pelo diretor e toda sua equipe, onde a gente encontra, finalmente, a beleza do poder de um grande amor.

 

lattesa

 

a espera (l’attesa), de piero messina

Um casarão no interior da Sicília, Itália. Jeanne (Lou de L’aâge), uma jovem francesa chega à terra de seu namorado, Giuseppe. Ele não está lá e quem a recebe é sua sogra, Anna (Juliette Binoche), também francesa, que há muitos anos tomou, de certa forma, o mesmo rumo de Jeanne até a Itália por causa de um amor. Essas duas mulheres, de gerações tão diferentes, vão criando um laço enquanto aguardam a chegada de Giuseppe. É desses filmes de poucas palavras, história simples, imagens lindas e sentimentos à flor de pele.

 

thelobster

 

o lagosta (the lobster), de yorgos lanthimos

Num futuro bizarro e distópico, o recém divorciado David (Colin Farrell) é enviado para um “hotel de solteiros”, onde ele tem 45 dias para encontrar um novo par. Num mundo onde ninguém pode estar solteiro nunca, aqueles que não conseguem um novo par nestes 45 dias é transformado em um animal. Talvez você pense aqui: que filme louco! E é. É, no fundo, uma análise das nossas próprias relações, em um mundo de tantos “matches” em aplicativos, e no quanto a sociedade em geral acaba influenciando nos relacionamentos que a gente tem.

 

louderthanbombs

 

mais forte que bombas (louder than bombs), de joachim trier

Como lidar com a perda de alguém? Como lidar com a vida? Essas perguntas permeiam o mais recente filme do ótimo diretor norueguês Joachim Trier (do excelente Oslo, 31 de agosto). Gene (Gabriel Byrne) é o pai de família que há muito tempo largou a carreira para cuidar dos filhos, já que sua esposa Isabelle (Isabelle Hupert), passava boa parte do tempo viajando. Ela era uma fotógrafa de guerra, premiada e reconhecida, falecida há pouco tempo. Com a morte da esposa, o viúvo vive dificuldades em se comunicar com o filho mais novo, o adolescente Conrad (Devin Druid). O filho mais velho (Jesse Eisenberg), casado há pouco tempo e com uma filha recém-nascida, volta à casa pra passar um tempo com o pai e o irmão. O filme lida delicadamente, sem nunca cair no melodrama, da eterna presença da mãe ali e os conflitos gerados em família. Das dificuldades de cada um em encontrar seu próprio caminho frente à perda e frente à própria vida.

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  • Katia diz:

    Oi Gui, suas indicações são sempre ótimas, pfv continue sempre postando o que vc tem visto de bom !!! … Descobri transparent aqui no site e é a minha série favorita da vida, muuuitissimo obrigada !!!! Lindo 2017 para vc !! :-)

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