preferidos de 2016: livros e cartas amarelas

preferidos de 2016: livros e cartas amarelas

No segundo post de listas de 2016, meus livros e cartas amarelas preferidos nesse ano que passou. Como nas outras listas, estão em ordem alfabética, não num ranking. Os livros e cartas preferidos em: 2015201420132012.

 

livros

 

norawebster

 

nora webster, de colm tóibín

Nora Webster é um bonito e tocante retrato da experiência de uma mulher solitária e triste, que ficou viúva há pouco tempo. Da dificuldade de uma mulher em expressar o que gostaria em meio a sociedade irlandesa do final dos anos 60. Os dias de Nora passam e vão se transformando através de pequenas coisas: ela assiste filmes com os filhos e se sente confortada quando descobre neles similaridades com sua própria vida. Ela encontra vida escutando músicas que complementam suas próprias emoções. Aqui temos uma mãe fazendo o que ela pode fazer de melhor. Aprendendo a cuidar de seus filhos ao mesmo tempo em que começa a descobrir, com seus mais de 45 anos, seus próprios interesses. Se dando permissão para descobrir o que a faz bem. Encontrar o poder pra encarar o que não viveu antes. É uma história que vem reiterar que muitas vezes ganhamos presentes da vida, mesmo que eles venham quando pagamos um alto preço.

 

sogarotos

 

só garotos, de patti smith

Volta e meia me fixo nessa imagem: um casal de velhinhos em meio a lembranças de quando dançaram Velvet Underground juntos em sua juventude. Foi num dia frio e chuvoso em que resolvi ver uma exposição tão bonita sobre a banda na Filarmônica de Paris. Lembro que observei esse casal de velhinhos o tempo todo, desde a entrada. No começo, achei graça de ver um casal mais velho, com carinha de vovô e vovó, indo ver uma exposição sobre a influência de uma geração punk rock. Até perceber que aqueles dois viveram aquilo tudo, e que não passava de um preconceito meu achar que eles não iriam numa exposição com essa temática que incluísse imagens explícitas e fortes de sexo e drogas. E o que mais me emocionou ao final foi entender a beleza de tudo nos olhos marejados de lágrimas deles. Lembro também que nesse mesmo dia voltei pra casa e encontrei uma das minhas amigas mais queridas lendo Só Garotos. Falei tanto do que vi na exposição, da cena novaiorquina da década de 60, das obras de Andy Warhol, do movimento cultural da época. E ela foi me contar do quanto estava tocada com o relato tão bonito do mesmo movimento feito pela Patti Smith no livro. Patti cresceu numa família modesta em Nova Jersey e, prestes a completar 21 anos, foi tentar a vida em Nova York sem dinheiro no bolso e um livro de Rimbaud na mala. Era o final dos anos 60 e ela precisou se virar como pôde: morava escondida no trabalho, comia pouco pra tentar juntar algum dinheiro ou comprar material de arte. Um dia ela conhece Robert Mapplethorpe, alguém que também queria ser artista e que também não tinha um tostão no bolso. Desse encontro nasce inicialmente um romance e depois uma amizade para a vida toda. É com o olhar atento e afetuoso que ela vai contanto essa história nada convencional em como foram se encontrando pelo caminho: Mapplethorpe entendendo que era gay e se encontrando na fotografia; ela trilhando um caminho com poesia e música. Se misturando a tantos nomes da arte e música da época que a gente tanto já ouviu falar. Me senti comovido no quanto ela mostra através do seu texto uma relação de lealdade e suporte tão bonita. Mais do que o movimento artístico em si, fica pra mim que a vida é feita mesmo desses grandes afetos que a gente encontra em nossa jornada. Essa mesma vida que talvez nos faça partir antes da hora, mas que fica aí perdurada em imagens e palavras tão bonitas que a gente guarda, quentinhas, quentinhas. Ao fechar o livro, lembrei de novo do casal de velhinhos. Entendi, ali e em Só Garotos, como pode existir vida, amor e beleza pra quem aposta na ousadia e liberdade como forma de ser.

 

cartas amarelas

 

carta127

 

#127 – se apaixonar

“É preciso lembrar que machucado cura quando você conhece um novo sorriso. Que a sua vida vale mais do que você imagina e, por isso, essa mesma vida merece ter o maior coração do mundo. Assim a gente fica forte. Feliz. Se torna alguém admirável. Se apaixona por tudo que é apaixonável. E o mundo até mais lindo fica.” [a carta completa aqui]

 

carta130

 

#130 – a última

“Tentei nesses anos registrar coisas incríveis que pessoas igualmente incríveis falaram. Continuei a rir de mim. Sempre. É um talento que pretendo manter. Refletir muito. Aprender muito. E também continuar mudando de ideia, o quanto for necessário. Encerro mais um ciclo da vida tendo a certeza que tenho muito mais pra aprender. Talvez essa não seja a última carta que te escrevo. Quero que saiba que continuarei sempre aqui. Pra dar abraços apertados de espremer até sair caldinho. Pra contar histórias sempre cheias de sentimentos. Pra te escrever receitas no canto do caderno rabiscado. Pra lembrar sempre que a vida pode ser ainda mais leve. E que sempre é tempo de ir ver o mundo com os próprios olhos. Com os olhos do entendimento. E também com os olhos do coração. É preciso sentir a distância, mesmo que seja pra sentir esse sentimento tão cálido e tão apertado que é a saudade. É preciso também sentir o desabrigo, porque talvez só assim a gente reconheça o conforto que deixamos pra trás.” [a carta completa aqui]

 

carta132

 

#132 – 6 anos

“Porque eu quero fazer o máximo que eu puder em tudo. E com os máximos que consegui eu só posso dizer que aprendi a melhor coisa do mundo – a sorrir.” [a carta completa aqui]

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