um dia na região de champagne

um dia na região de champagne

Lembro claramente da primeira vez que fui à região de Champagne, numa excursão da escola. Lembro que foi um dia super animado, em que pude observar a primavera começando pelas estradas e que pude rir e beber bastante com meus colegas de sala. Lembro ainda que até escrevi uma carta amarela sobre esse dia. Da segunda vez foi um passeio com meus pais. Foi divertido pois passeamos por toda a região de carro. Como a temporada de O Chef e a Chata envolvia gastronomia, resolvemos ir passar um dia em Reims, a cidade principal da região. Almoçamos num château, fomos a duas cavas e por último conhecemos a catedral:

Ao contrário das outras vezes, dessa vez foi uma viagem um pouco difícil. Foi um dos poucos dias feios que pegamos por lá. Estava frio, choveu esporadicamente e estávamos muito cansados, mais pro fim da viagem. Dormimos no trem, mas a viagem é bem curtinha, nem deu pra descansar. Da estação pegamos um taxi direto para o Les Creyères, um château-hotel super bonito que tem um restaurante também bonito e bem gostoso chamado Le Jardin.

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De lá conhecemos duas cavas. A primeira, a Pommery, foi uma experiência um pouco decepcionante. Eles resolveram fazer instalações contemporâneas na cava e o resultado ficou meio estranho. A visita em si não foi tão legal. Depois fomos na famosa Veuve Clicquot. Só conseguimos pegar o horário da visita em francês (existe em inglês também, é bom sempre olhar os horários e reservar pelos sites). Lu e Léo acabaram não aproveitando muito, mas eu achei bem bacana o tanto de informações e curiosidades que eles iam contando pelo passeio. Começa contando a história da casa de champagne. Ela não começou nas mãos da famosa viúva e sim de seu sogro, Philippe Clicquot-Muiron, em 1772. Em 1798 seu filho François se casou com Barbe-Nicole Clicquot Ponsardin, mas ele faleceu poucos anos depois. Em 1805 ela perdeu o marido e teve de assumir a vinícola da família. Naquela época as únicas mulheres que possuíam liberdade social para ir atrás do próprio dinheiro eram as viúvas.

Ela não tinha nenhuma educação formal para negócios, mas com uma filha para criar, Barbe-Nicole decidiu assumir a vinícola familiar. Seus champagnes caíram nas graças dos soldados estrangeiros que lutavam na França. Ao regressarem a seus países de origem, ajudaram a criar a fama da bebida, que se espalhou pela Europa. Logo Barbe-Nicole tornou-se uma das mulheres mais influentes e ricas da época. Ela foi uma mulher vanguardista, que colocou em prática lições que hoje fazem parte da cartilha do mundo dos negócios, como tornar um produto o representante de sua categoria. Durante muito tempo, pedir por “uma garrafa de viúva” foi sinônimo de pedir champanhe. Ela morreu aos 89 anos sem jamais voltar a se casar.

Ela inventou técnicas (graças a ela, o espumante é cristalino), estava sempre com um olho no futuro e focou seu produto na rica burguesia que ascendia pós-Revolução Francesa. Uma pergunta que eu quis fazer, por amar a cor é: Por que o amarelo? Os champagnes na época eram muito doces, e eles começaram a fazer uma linha Brut, que tinha um rótulo com uma tarja amarela. Esse champagne em si começou a fazer muito sucesso, e com isso a cor amarela acabou dominando os rótulos da marca e se tornando tão conhecido mundo afora. O passeio pela cava terminou em uma sala onde degustamos uma taça de champagne.

Pra finalizar, passamos pela catedral da cidade (a que aparece no fundo da foto do topo do post). O mais interessante é que essa catedral nunca me disse nada, apesar da beleza. Mas semana passada terminei de ler um livro, Circo Invisível, em que uma das passagens mais importantes se passa dentro dessa catedral. Ao ler, sorri. Lembrei do nosso fim de tarde cansados em frente a ela. Pensei nas histórias que criamos pelo caminho – nesse dia eu e Lu até planejamos um futuro casamento da Bia por lá, e a gente nem sabia se era menino ou menina ainda – e no fundo ficou uma lembrança gostosa que no fim das contas, foi um bom dia.

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