sybaris

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Ainda lembro das framboesas vermelhinhas debruçando na beira da pia da cozinha. Enroladas em papel pardo, você tinha trazido logo cedinho pra dentro de casa. O sol apareceu naquela quinta-feira fria e eu desci as escadas azul cobalto depressinha pra apanhar coisas na padaria. A sala não tinha muitos móveis mas tinha um chão todo recortado de madeira em que eu gostava da caminhar descalço seguindo as linhas em zigue-zague. Cê coou café, verti mel em iogurte. Assim se fez banquete, entre vermelho, branco, pardo e as coisas gostosas encontradas no meio dessa saudade.

Nessa mesma quinta você me levou pra almoçar fora. No Marais, aquele bairro também de tantas lembranças. Você me fazia entrar em cada cour quando alguém saía de um prédio. Entendi que é assim que a gente descobre os pequenos tesouros. A cada pequena paris entre janelas, plantas e bicicletas encostadas no muro.

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Entramos no Sybaris. Você me contou que ali tinha um almoço incrível em sabor e incrível em preço: 10 euros pelo menu que incluía uma salada de entrada, um sanduíche memorável e uma bebida sem álcool. Você pediu um hambúrguer de picanha de angus black, eu pedi um pastrami com cheddar no pão de açafrão. A entrada era a mesma: salada morna de maçã verde, salsão, queijo de cabra e amêndoas, tudo coberto por um crumble de ervas. Fui conversar com o chef, Paul. Ali, trabalhando atrás do balcão geométrico de fórmica vermelha, azul e branca. Dali onde se viam os instrumentos da cozinha pregados na parede e os vinhos na prateleira com o preço pintado em branco. Me contou que trabalhou alguns anos com Alain Ducasse, onde aprendeu muito. Queria que o Sybaris fosse um espaço simples, central, moderno e que fosse uma espécie de clube de gastronomia. No almoço, três opções de sanduíches diferentes a cada dia, no jantar um menu de 6 pratos por 45 euros. Tudo fresco, tudo criativo, tudo delicioso.

E foi ali, logo após, andando pelas ruas que os sonhos murmurados se misturavam ao pó branco do chão, ao sol quentinho batendo nas costas entremeado ao vento frio, às sombras de vidas e aos idiomas ao redor que nem a gente entende. Parei pra ver a revoada de pombas enquanto um senhor arrastava lentamente seu carrinho vermelho pela rua. Ele parava, suspirava, continuava. Ficamos ali. eu, você, o vento, o solzinho, o branco, o vermelho e as vozes. De olhares, sorrisos e palavras soltas, sem nenhuma agenda maior.

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Sybaris :: aberto de quarta à sábado de 12h às 14h e 20h às 23h. 86, Rue des Archives – 75003 – Paris

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