carta amarela #134 – comparações

carta amarela #134 – comparações

São Paulo, 7 de fevereiro de 2017

Querido amigo,

Domingo de tardinha foi dia de calçar o tênis mais velho pra andar por aí. Ouvir Amarante cantar Evaporar, comprar uma ‘long neck’ no posto da esquina e lembrar com os amigos de tempos tão próximos mas já tão distantes. Anoiteceu e fomos pra casa de uma amiga comer comida mexicana e assistir a Lady Gaga no intervalo do Super Bowl. Foi desses dias bons, de sol e calor. De ver pessoas queridas e aproveitar o fim do domingo.

Ao abrir as redes sociais ontem, vi o que já é costume: as eternas comparações entre as cantoras pop. É engraçado como vejo tanta gente na minha ‘bolha’ se dizendo feministas, sejam gays ou mulheres, e talvez por isso mesmo não entendo esse ambiente de disputa. Sei que a própria indústria e imprensa propaga essas comparações, mas a gente não vê isso com frequência em relação aos cantores homens. É triste ler coisas como “Madonna está velha”, “Lady Gaga não faz mais sucesso”, “Rihanna é trash”. Cada uma tem suas características e talento, pra que tantos dedos apontados pra dizer que uma é melhor que a outra? Se você não tem algo bom pra falar, não fale. O mundo já está cheio de opiniões de ódio e é tão triste ver as pessoas debatendo essas coisas como se fossem os comentários tristes que a gente vê pela internet afora. Isso enfraquece o movimento feminista bonito que tenho visto nos últimos tempos.

As pessoas andam muito cheias de si e vazias de sabedoria. Compaixão e simplicidade tem virado coisas raras. Talvez por isso tenho falado menos. Porque sei mesmo que não sei muito sobre as coisas ainda. Vou tentando aprender mais com esse mundo e tentado julgar menos. Falar tudo o que penso o tempo todo assim, jogado ao mundo, nunca foi prudente. Tem a pessoa, a hora, o lugar. Só penso no quanto meu domingo foi gostoso ao aproveitar aquela apresentação ao lado de amigos, e só. Sem dramas ou falatórios. Hoje falei muito porque algumas vezes a gente precisa escrever. Pra lembrar sempre que a vida é muito curta para apontar dedos por aí e julgar tudo tão negativamente. Pra lembrar que a vida está aí pra ser mais leve. E que vida gosta mesmo é de quem gosta dela.

Um abraço, com afeto,

Gui

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