#133 – renascer

#133 – renascer

São Paulo, 16 de janeiro de 2017

Querido amigo,

Falamos tanto, tanto em crescer. Em como o tempo passa rápido. Os anos passam, a gente muda um pouco, mas somos apenas uma transição do ontem. O ontem. Latente. Daquelas memórias que se tornam ouro. Pensar em glórias. A glória de perder um dente e ver crescer outro, novinho. De sentir um corte rasgando o peito pra um tempo depois ver pulsar um outro coração, novinho. A força em chegar lá. Sempre. Mais e mais pra lá. Longe o suficiente pra me fazer sentir vivo. Vivo, com a felicidade que eu sempre mereci sentir. Que todos merecemos. Se sentir feliz ao ouvir a música de ontem como se fosse pela primeira vez. Sentir o aguçar na língua como um sorvete bem gelado faz. Sensações simples que o tempo só aprimora: esse é o passado que vale a pena. O pedaço de história que só você conhece. Que se faz vivo quando aquele perfume emana. Quando aquele filme da adolescência passa na TV. Quando aquele chocolate que você amava na infância volta pras prateleiras do supermercado. Essa lembrança nem é por ninguém a não ser por você mesmo. Você e essa pequena solidão que só faz sentido em seu próprio mundo. É isso o que me faz sentir a vida alcançar um andar a mais, a cada ano que passa. Coleciono com orgulho o meu álbum repleto de sorrisos e abraços embaixo da garoa. Levo por dentro essa leveza do começo da noite em horário de verão. Guardo isso pra carregar com calma. Guardo porque preciso dessa calma.

Espero que você tenha também um bom ano dentro de você, amigo.

Um abraço apertado,

Gui

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